
Fale-se em jovens e em leitura e facilmente se conclui que ambos são incompatíveis. :)
As razões para este pensamento podem ser da mais variada espécie: as afirmações recorrentes “Não gosto de ler.”, “Ler para quê? A Net tem tudo aquilo de que eu preciso.” ou “Não tenho tempo para isso. Já leio tanto para as várias disciplinas.”… fazem parte do nosso quotidiano ou, pelos menos, do dos educadores que se vêem confrontados com esta realidade quando se informa o aluno de quais as obras de leitura integral obrigatória que constam do seu currículo.
Se nos perguntarmos sobre quais as razões que levam os nossos filhos a não lerem, opções como Televisão, Internet ou Jogos Vídeo são identificadas por nós ou por qualquer um que trabalhe directamente com jovens.
E que fazemos nós, professores, para travar esta concorrência desleal, assente, por um lado, no facilitismo dos ditos media e por outro, no trabalho e paciência necessários para ler e compreender um livro?
Nós, que chegamos a comentar que não valerá a pena qualquer esforço pois estamos perante um batalha perdida à partida, dada a força facilitista dos nossos oponentes. Nós, que nos debatemos com programas disciplinares extensíssimos, que exigem actuação no sentido do mais ler e melhor mas que nos roubam descaradamente tempo, o tempo necessário para semear nos alunos o gosto pela leitura, incutindo a importância da leitura para a compreensão e conhecimento da vida.
Enfim, incongruências.
As mesmas, aliás, que os programas, subrepticiamente, nos obrigam a assumir quando, tendo adoptado um manual, apresentamos obras da literatura nacional e universal, retalhadas, apresentadas sob a forma de textos, que pretendem representar uma obra reconhecida e sobre a qual se dizem certas coisas.
Qual será, então o papel efectivo da literatura na vida dos nossos jovens? Um título que se dá, muitas vezes aleatoriamente, ao chamado excerto de uma obra literária e que se analisa ao ponto de dissecar as ideias nele expostas. O resto é a avaliação, o conhecimento (?) da obra… o passar ao autor seguinte que o tempo urge.
Conclui-se, perante o exposto, que é urgente uma alteração de mentalidade, de posição quanto à importância do acto de ler.
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